1.7.09

Depressão, ansiedade e pânico. Há muito tempo não escrevo, pois passei uma fase muito difícil. Notem que atribuo essa enorme recaída à realização da eletroconvulsoterapia (ECT), que disparou em mim a síndrome do pânico e afetou minha memória, agora já recuperada. Aliás, sobre esse assunto, gostaria de deixar aqui uma sugestão: sempre consultem antes um terapeuta para saber se você de fato está psicologicamente apto a realizar a eletroconvulsoterapia. Na minha opinião, deveria ser obrigatória a apresentação de uma autorização emitida por um psicológico ou psicanalista, como requisito para realizar dito procedimento. A psiquiatria é muito fria e calculista. Perdi alguns meses de minha vida e sessões de terapia para superar o desamparo e abandono (traumas de minha infância) que voltei a sentir após realizar tal tratamento, que inclusive afetou minha auto-estima. É bem verdade que eu me encontrava muito deprimido e com risco de suicibilidade. Eu estava fragilizado e sem esperanças. Com a recaída que tive, meus pais e eu optamos por consultar outros dois psiquiatras de renome para formar uma junta médica. Eles foram unânimes em me receitar um medicamento muito antigo chamado Parnate. Trata-se de um inibidor da monoamina-oxidase (IMAO), com diversas restrições alimentares. A fase de transição dos remédios foi bem complicada (washout). Como se não bastasse, a sensação de estranheza e a depressão continuaram. Fiquei um bom tempo apático e tendo que me recolher (dormir) durante o dia. Então, com muita cautela, acompanhamento semanal e doses homeopáticas, eles associaram o Parnate a um antidepressivo tricíclico (amitriplina), o que é expressamente proibido, caso você leia a bula de ambos medicamentos. Entretanto, a Associação Americana de Psiquiatria aconselha esse tratamento como último dos últimos recursos, somente no caso de depressões gravíssimas e recorrentes. Então, feito o acerto das doses, os resultados aos poucos começaram a aparecer. Hoje estou bem melhor. O Parnate tem uma grande vantagem perante os demais antidepressivos: ele não gera oscilação de humor. Agora ECT, nunca mais, pois além de depressão, tenho síndrome do pânico. Se soubesse da existência dessa associação medicamentosa, jamais teria insistido na eletroconvulsoterapia. Lembrem-se: para tudo tem um jeito, menos para a morte. Jamais se automediquem. Procurem sempre por um psiquiatra. Espero que minha traumática experiência sirva para alguém. Até mais!
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7.7.08

Depressão, ansiedade e pânico. Recebi esse texto por e-mail e achei por bem publicá-lo. Vaso Chinês: Defeitos. Uma velha senhora chinesa possuía dois grandes vasos, cada um suspenso na extremidade de uma vara que ela carregava nas costas. Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito. Este último estava sempre cheio de água ao fim da longa caminhada da torrente até a casa, enquanto aquele rachado chegava meio vazio. Por longo tempo a coisa foi em frente assim, com a senhora que chegava em casa com somente um vaso e meio de água. Naturalmente o vaso perfeito era muito orgulhoso do próprio resultado e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só a metade aquilo que deveria fazer. Depois de dois anos, refletindo sobre a própria amarga derrota de ser 'rachado', o vaso falou com a senhora durante o caminho: 'Tenho vergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que eu tenho me faz perder metade da água durante o caminho até a sua casa...' A velhinha sorriu: Você reparou que lindas flores tem somente do teu lado do caminho? Eu sempre soube do teu defeito e, portanto plantei sementes de flores na beira da estrada do teu lado. E todo dia, enquanto a gente voltava, tu as regavas. Por dois anos pude recolher aquelas belíssimas flores para enfeitar a mesa. Se tu não fosses como és, eu não teria tido aquelas maravilhas na minha casa. 'Cada um de nós tem o próprio defeito. Mas o defeito que cada um de nós tem é que faz com que nossa convivência seja interessante e gratificante. É preciso aceitar cada um pelo que é... E descobrir o que tem de bom nele. Portanto, meu 'defeituoso' amigo, tenha um bom dia e lembre de regar as flores do seu lado do caminho".

27.6.08

Depressão, ansiedade e pânico. Pensamentos e frases soltas, só para guardar e organizar: (a) a febre está para a infecção, assim como a ansiedade está para a depressão; (b) louco é quem não reconhece que a loucura faz parte da natureza do ser-humano; (c) tamanha é a dor de uma depressão que, ao acordar, você faz de tudo para continuar dormindo, na esperança de que a angústia passe; (d) a atenção desinteressada é a satisfação do desejo; (e) quando um povo burro elege um presidente burro, demonstra inteligência; quando um povo burro elege um presidente inteligente, demonstra burrice; o burro desconhece a inteligência; (f) quem é mais louco, um criminoso que vai ao tribunal e confessa um crime ou um criminoso que comete um crime e não o confessa? (g) por vezes, a loucura é sublime, pois tira da pessoa a capacidade de fingir, filtrar ou mentir, assim como uma criança; (h) gênio é aquele que expõe sua personalidade sem preconceitos; genial é tudo o que alguém traz à tona após uma imersão em seu "ser", que de tão profunda e honesta cria nos outros uma sensação de identidade; (i) talento é quando um atirador atinge um alvo que os outros não conseguem atingir; gênio é quando um atirador atinge um alvo que os outros não vêem; (j) toda escolha implica numa renúncia; k) o pesar é a depressão proposcional à circunstância; a depressão é um pesar desproporcional à circunstância; l) espera que amanhã passa; m) sou para não ser o que seria; n) a depressão e o pânico tornam a pessoa mais humana; quem sente dor valoriza o bem-estar, ou melhor, é capaz de admirar a simples sanidade; o) para tudo tem um jeito, menos para a morte.
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25.6.08

Depressão, ansiedade e pânico. Seguem algumas anotações que fiz à mão, relatando alguns pensamentos, conclusões e indagações. Denominei-as "Rascunho de um Depressivo". Não há como evitar. Estou certo e sou prova de que a depressão grave é química. É comum a família dizer "tenha força de vontade", "você não precisa disso (remédios)", "a vida é assim mesmo" ou "faça uma viagem com o dinheiro gasto no tratamento". Por vezes, nega-se a existência do problema ou fingi-se que não há nada de errado com a pessoa, pelas seguintes razões: (a) a gravidade do problema assusta alguns; (b) ainda há um imenso preconceito quanto à depressão; (c) trata-se de algo que poucos entendem; (d) não sabem como ajudar; (e) como não há cura, é difícil admitir ter um problema que necessite de um constante tratamento (pscicólogo, psiquiatra e medicação). Quando a pessoa procura um tratamento e começa a melhorar de fato, isso confirma a veracidade de um diagnóstico psiquiátrico. Para alguns, admitir isso é um terror. Se pararmos para pensar, o sucesso de um tratamento pode até gerar conseqüências para a pessoa até então deprimida, que é obrigada a admitir e reconhecer que tamanho sofrimento poderia ser evitado se o diagnóstico psiquiátrico fosse feito mais cedo... De qualquer forma, se você estiver em crise, pense ou faça o seguinte: (a) ninguém fica assim para sempre; (b) trata-se de um desiquilíbrio neuroquímico, tenha calma que vai passar; (c) respeite-se e reconheça que algo está errado; (d) converse com alguém que tenha passado por algo parecido; (e) depressão é uma doença como pressão alta ou diabetes; (f) pesquise o assunto, procure um médico psiquiatra e dê início a um processo terapêutico; (g) para tudo tem um jeito, menos para a morte; (h) sempre haverá novos medicamentos no mercado, cada vez mais eficazes; etc

15.5.08

Depressão, ansiedade e pânico. Há tempo não escrevo, pois estou me recuperando de uma gravíssima crise de pânico. Insisti em fazer eletroconvusoterapia (ECT) uma última vez para tratar da depressão, pois o médico disse que não restava alternativa: ele já havia tentado todas as medicações existentes e os sintomas persistiam. Após 4 sessões, voltei a ter fortíssimas crises de pânico, como não ocorria há 12 anos. O médico comentou que a eletroconvusoterapia funciona em 90% dos casos, no tratamento da depressão. Ele não imaginava que eu poderia voltar a ter síndrome do pânico por causa do ECT. Foram 2 longos meses sentindo na pele como é ser louco, tudo de novo. As crises foram ininterruptas, fortíssimas e os remédios mal faziam efeitos (pânico crônico e refratário). Foi tão difícil - ou mais - quanto da primeira vez. Quase me internei uma semana num hospital convencional para tomar medicamento na veia (o que foi cogitado pelo próprio médico). O apoio de minha família foi fundamental no processo de recuperação. Tive que dar uma pausa no trabalho. Voltei a fazer terapia 4 vezes por semana, desta vez com um piscanalisna novo. Fiz algumas entrevistas até chegar a ele (esse processo de escolha do terapeuta é absolutamente necessário e muito importante). Sintomas básicos: palpitação e suor frio; perda total do apetite; sensação de disfarce e estranheza; medo de ficar louco; medo de morrer; medo de perder o controle sobre minha pessoa e fazer mal a alguém ou de me suicidar; medo de ficar sozinho; medo de meus próprios pensamentos; perda do filtro de pensamentos absurdos; e crises desesperadas de choro, por estar vivendo todo esse quadro. Além disso, o tempo não passava e eu evitava eventos sociais. Em suma, deixo de recomendar a eletroconvulsoterapia (ECT) para quem tem ou já teve pânico crônico. Acredito que ela sirva tão somente para tratar da depressão. Os médicos que me desculpem, mas essa é a conclusão que tiro de minha dolorida experiência.

3.2.08

Atenção: a leitura dessa postagem, em específico, não é recomendada para quem está passando por crises de pânico.
Depressão: a eletroconvulsoterapia - ECT. Estou de volta, desta vez para falar de um assunto polêmico: a eletroconvulsoterapia, conhecida pela sigla ECT e, popularmente, como eletrochoque. Tive duas experiências com esse tratamento, sempre de forma voluntária e consciente. Antes de tudo, faço questão de dizer que, para realizar essa antiga e eficaz terapia, o paciente deve assinar um termo consentindo com a aplicação do eletrochoque. Ressalto, ainda, que o procedimento é completamente indolor, rápido e seguro. Apesar de tudo isso, confesso que é necessário ter coragem, muita coragem. Andrew Solomon, o autor do melhor livro sobre depressão disponível no mercado, denominado "O Demônio do Meio-Dia Uma Anatomia da Depressão", confessa que não teve essa coragem. Eu tive. Não foi nada fácil, mas deu resultado. Optei por realizar a primeira aplicação num momento em que eu estava no fundo do poço, sem qualquer esperança, com depressão grave, estado esse que perdurava há algum tempo, mesmo após passar por 5 psiquiatras, tomar 15 comprimidos ao dia (antidepressivos, estabilizadores de humor e ansiolíticos) e fazer terapia semanalmente. Na véspera da aplicação, tamanho era meu medo, que comecei a ter ataques de ansiedade e de pânico. Na primeira vez, cheguei ao hospital aos prantos, não saí do carro e voltei para casa. Minha esposa estava comigo. Na semana seguinte fui, chorei e concordei em realizá-lo com a condição de que meu médico ficaria ao meu lado o tempo todo. Alguns são contra a eletroconvulsoterapia em razão desse trauma psicológico: ninguém gosta de comparecer a um hospital psiquiátrico, muito menos sabendo que será submetido a um eletrochoque na cabeça e induzido a uma convunção, para nunca mais se esquecer disso. Todavia, se considerarmos o grau de sofrimento gerado por uma depressão grave, a coisa não fica tão difícil assim. Então, entrei no carro e fui lá, acompanhado de minha esposa. O procedimento é simples: você realiza exames médicos preliminares, agenda um horário, faz jejum de 12 horas, comparece ao hospital com o pedido médico, assina o termo de consentimento, passa por um cardiologista, por um dentista, é chamado para comparecer na sala onde as aplicações são feitas, deita-se na maca, recebe um relaxante muscular e, por fim, uma anestesia geral de curtíssima duração. Então, após cerca de um minuto, você acorda um pouco dopado. Tudo isso com a participação direta de uma equipe médica séria e profissional, formada por psiquiatras e anestesistas. Via de regra, no dia seguinte, você sente dores musculares (como se tivesse feito muito exercício físico), além de dor de cabeça e um pouco de dificuldade de se recordar de fatos bobos muito recentes (leve falta de memória imediata). Por exemplo, tive que me esforçar para lembrar em qual vaga do hospital meu carro estava estacionado. Importante é ressaltar que todos esses sintomas são passageiros. Os médicos costumam indicar uma série de aplicações diárias e seguidas. Todavia, no meu caso, tive sintomas inesperados. Após minha primeira aplicação a depressão desapareceu, mas eu fiquei atordoado por quase uma semana, tendo um pouco de paranóia, muita sensação de estranheza e vários ataques de pânico. Voltei a sentir os sintomas da minha primeira crise de ansiedade, ocorrida há anos atrás. Por conta disso, não dei continuidade ao tratamento. Todavia, passada essa complicada fase, fiquei muito bem por 3 meses: sem depressão, pânico e ansiedade. Então, a depressão começou a voltar aos poucos e novamente lá estava eu, no fundo do poço. Diante disso, por vontade própria, decidi fazer uma nova tentativa, principalmente porque meu médico ventilava a hipótese de que tais sintomas incomuns poderiam ter como origem o stress que precedeu a primeira aplicação: o que para mim fazia sentido. Então, na segunda tentativa, de tão calmo que eu estava, fui sozinho ao hospital: cheguei lá deprimido, mas muito sereno e sem qualquer ansiedade. Após a aplicação, voltei a ficar atordoado, a ter crises de ansiedade e ataques de pânico, também por quase uma semana. Entretanto, novamente, a depressão e os pensamentos suicidas haviam desaparecidos. No meu caso, em ambas tentativas, uma enorme ansiedade e medo generalizado substituíram a depressão. Foi complicado, mas isso não me impediu de tocar a vida, pois voltei a ter vontade de fazer as coisas. Lembro-me de ter comparecido ao trabalho e de ter feito esporte no mesmo dia da segunda aplicação. Afinal, após tantos episódios de ansiedade e pânico, tornei-me um mestre na arte de domar esses leões. Parei o tratamento de eletrochoque por aí, por achar que mudar a medicação, quando se está deprimido, é melhor do que viver uma semana na tênue linha que separa a sanidade da insanidade. Acreditem, sei como é ser louco, pois me recordo de todos os episódios do passado, alguns deles paranóicos. Ou seja, nunca perdi a consciência. Não desejo isso a ninguém. A loucura é desumana, avassaladora. É como ir ao inferno e voltar. No meu ponto de vista, é fundamental tomar remédios, tentar todos tratamentos disponíveis e desenvolver ferramentas de controle emocional, tanto internas como externas. Nesse particular, a terapia é muito útil, inclusive familiar, sempre com um acompanhamento de um psiquiatra. Lembrem-se: depressão, crises de ansiedade e ataques de pânico são doenças. Não há força de vontade que as cure. Por isso, jamais se culpe e procure um médico de sua confiança o mais rápido possível. Dica: o ECT, apesar de ser indolor, requer uma preparação psicológica. Sugiro visitar o local e conversar com pessoas que estão na sala de espera alguns dias antes de fazer a aplicação. Bom, vou ficando por aqui. Em breve falarei sobre minha experiência com outro tratamento para depressão que realizei: a Estimulação Magnética Transcraniana, conhecida pela sigla EMT ou EMTr. Prometo, ainda, um dia, publicar todas anotações que fiz quando estava com crises. Até mais! http://mentelouca.blogspot.com/

1.2.07

Depressão, ansiedade e pânico. Fico muito contente com o número de visitantes desse blog. Bom, deixe-me falar um pouco mais de minhas crises. Em 1995, quando poucos sabiam o que era síndrome do pânico e quando a internet ainda engatinhava, a bomba estorou: minhas crises de criança, que antes eram esporádicas e sustentáveis, alguns meses após a perda de um ente querido, passaram a ser constantes e fortes. Ou seja, elas não tinham qualquer intervalo, meu sistema de alerta disparou e tive diversas paranóias: achava que morreria, que estava ficando louco e que perderia o controle sobre mim mesmo. Era uma mistura de crises de ansiedade com ataques de pânicos. Funcionava mais ou menos assim: se eu via uma notícia na televisão de que o filho assassinou os pais, por exemplo, eu corria para o meu pai e pedia a ele que não o deixasse matá-lo. Meu coração disparava, minha pressão arterial subia, sentia tontura, uma sensação de estranheza e pedia para que me levasse para uma fármácia ou hospital. Note que, em alguns casos, esses sintomas aparecem em razão do susto tomado diante um pensamento. Com isso, o pensamento desaparece e o corpo passa a ser o centro da atenção. É uma espécie de fulga, entendem? Outra paranóia que tive, foi após ver alguns anúncios de prevenção a AIDS, veiculados na época do carnaval. Como tinha feito sexo oral com uma garota de programa sem camisinha antes da crise estourar, estava certo que eu havia sido contaminado. Fiz diversos exames e todos deram negativos. Mesmo assim achava que os resultados estavam sendo manupulados pelo meu pai, para poupar-me do sofrimento. Foi horrível. Lembro-me também, ao me deparar com pensamentos suicidas, de pedir ao meu pai que me impedisse de fazer uma imensa besteira. Minha mãe não sabia lidar com a doença e distanciou-se um pouco de mim. Perdi também o poder de concentração e a libido. Fiquei 3 longos meses com esses sintomas disparados, pois eu e meu pai resistíamos em tomar remédios tarja preta: meu pai, por achar que tais remédios faziam mal; eu, por achar que morreria se os tomasse. Nesse época, perdi totalmente o apetite, emagreci 15 quilos e fiquei esquelético. Toda refeição era um terror, pois comia forçado, sem a mínima fome. Cheguei a achar que morreria de inanição. Passei então a tomar muito milkshake, para tentar manter o peso. Nesse período, tomava muito calmante natural, tudo em vão. O fato de eu ter emagrecido tanto, na minha paranóia, só vinha a confirmar o diagnótico de soropositivo. Posso afirmar, sem receio, que senti na pele a dor de quem recebe a notícia de que está com AIDS. Lembro-me que um dia meu pai me chacoalhou no banheiro, pedindo para que eu reagisse. Passei diversos dias no escritório dele e dormindo com ele, pois tinha muito medo. Aliás, quando se está com pânico, é normal que se confie ou peça ajuda apenas para apenas uma certa pessoa. Duas coisas ajudaram: deixar de assistir televisão e passar a escutar músicas com sons da natureza. Os barulhos do cotidiano eram como imensos sustos. Finalmente, concordei em tomar uma medicação, achando que morreria. Pensava inclusive como seria meu funeral. Todavia, para minha surpresa, pouco tempo após, meu alarme interno parou de soar por um período. Foi o maior alívio que já senti em toda minha vida! Mas tudo isso era somente o início de uma batalha, que contarei a vocês em breve...
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4.12.06

Depressão, ansiedade e pânico. Leiam com atenção a íntegra de um valioso e preciso comentário postado hoje por Maria: "Basicamente a sintomatologia da depressão clássica é aquelas que todos sabem: tristeza, desânimo, 'queda de energia', sentimento de fracasso etc. Porém, não existe só isso por trás de uma depressão, também por conta dos fatos químicos e psíquicos que a envolve. Um exemplo disso seria a forma que se dá a depressao na infância. Ou, no meu caso, mais precisamente. Quando mais nova, tive um episódio de depressão que não girava em torno de uma tristeza, e sim daqueles pensamentos repetitivos, da ansiedade e da angústia, que culminavam na tristeza. Tinha também ataques de ansiedade. Porém acabaram por não se desenvolver em crises de pânico. O problema é que a depressão mexe com o seu psíquico como um todo. Você mesmo é um exemplo disso. A síndrome do pânico é um efeito psicossomático. Uma explicação melhor para isso seria: você não consegue 'viver' o sentimento, então você o expressa de uma forma física. Eu não sei, bioquimicamente, como isso ocorre, mas é assim que as crises costumam se dar. São somatizações. Na verdade, isso tudo é uma junção do que a minha psicóloga tem me dito e do que eu tenho lido. Então, claro, pode ser que contenha erros. Mas, isso tudo que eu te escrevi, faz muito sentido pra mim, aplica-se bem ao que eu vivi. Depois escrevo para você contando do meu caso atual de depressão, para compartilhar a diferença de pensamento e de sintomas, dessa vez, em relacao a primeira vez que vivi o quadro depressivo".
Maria, obrigadíssimo pela colaboração!!!

Depressão, ansiedade e pânico. Fui diagnosticado com síndrome do pânico e, em seguida, acometido por depressão grave. Isso foi há quase 15 anos. Os sintomas sempre existiram, desde minha infância, e tornaram-se menos discretos com o passar do tempo. Eu era incapaz de descrevê-los e não existia internet. O assunto era um tabu e a informação restrita a médicos. Os outros achavam que era frescura, chamavam meus colapsos de "pirepaques" ou "tremeliques". Lembro-me de ter feito eletroencefalograma, para verificar se tinha problemas neurológicos. Ninguém ventilava a hipótese dos sintomas serem psiquiátricos, pois esse assunto era apavorante. Passei por péssimos bocados. Ao receber o diagnóstico de pânico, tentei superar os sintomas só com força de vontade, claro que sem sucesso. Sofri muito e à toa por causa disso: se arrependimento matasse... Após o início da medicação prescrita, as crises foram se espaçando e a depressão melhorando. Se fosse em outra época, acreditem, certamente seria internado num hospício. Agradeço a Deus, todos os dias, pela evolução da medicina.
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1.12.06

Testes sobre Depressão
Instruções: Os testes abaixo são meramente orientativos e seus resultados podem variar, pois os critérios utilizados são diferentes. Consulte sempre um profissional de saúde. Tais testes são impróprios para diagnosticar depressão. Se você suspeita que está deprimido, consulte um médico o mais rápido possível.
Teste de Hamilton
Um dos mais tradicionais testes gerais para sintomas depressivos.
Questionário de Goldberg
Acompanhe com este questionário suas mudanças no tratamento da depressão.
Questionário de Wakefield
Teste sitomas de depressão, que você pode estar notando em si mesmo, em algum parente, amigo ou conhecido.

29.11.06

Os pensamentos suicidas, por vezes, aparecem, como forma de aniquilar a dor mental. Respeito aqueles que já cometeram suicídio, mas DISCORDO muito dessa atitude. Os deprimidos, mais cedo ou mais tarde, se tratados, livram-se da paralisia depressiva, ao contrário dos portadores de outras doenças. Por isso, peça ajuda, dê tempo ao tempo, insista no tratamento, fique no escuro, grite, durma, não coma, consulte outros médicos, desabafe as angústias escrevendo um diário, faça um blog, ligue para um amigo, soque o travesseiro, perca o emprego, procure por grupos de ajuda, mas JAMAIS tente cometer suicídio: faço esse pedido a todos, sem exceção, do fundo do meu coração. Lembre-se que um dia você andou e, mais cedo ou mais tarde, um dia você voltará a andar. Eu garanto, confie em mim. Sei como são as dores mentais, pois já sentei várias vezes na "cadeira negra de rodas da depressão" à beira do vale dos suicidas. Passei por vários psiquiatras e, infelizmente, constatei que muitos deles são incapazes de compreender a gravidade do assunto, justamente pela dificuldade de se entender o que é uma dor-de-cabela sem jamais ter tido uma. Para tudo tem um jeito, menos para a morte. Se a situação estiver muito insuportável, procure no Hospital das Clínicas de São Paulo pelos tratamentos EMT e ECT. O EMT é uma moleza. O ECT, apesar de ser indolor, requer uma preparação psicológica. Sugiro uma visita ao local antes da aplicação, para ver como se sente. Eu tive diversos ataques de pânico e muitas crises de choro até, que meu médico compareceu ao hospital. Concordei em realizá-lo com a condição de que ele ficaria ao meu lado o tempo todo. Um dia desses escrevo sobre essa experiência. Eles são uma boa alternativa e costumam ser indicados para idosos: uma moleza. Nada se compara ao sofrimento da depressão. Estou aberto a esclarecer dúvidas e receber críticas, pois a vida é um eterno aprendizado.
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Olá, estou de volta! Tenho imensa satisfação em ler os comentários deixados neste blog. Para tentar dar alguma luz a quem está na escuridão, reitero aqui o seguinte ponto de vista: estou absolutamente certo de que a depressão é uma doença que, num futuro breve, poderá ser curada. A depressão fica incubada no organismo, por vezes dá sinal de sua existência e vem à tona quando a pressão aumenta. Se alguém propenso a ter problemas no sistema circulatório corre uma maratona, é possível que ele tenha, por exemplo, um ataque cardíaco. Da mesma forma, se alguem propenso a ter problemas no sistema nervoso submete-se a uma perda ou stress (maratona emocional), é possível que ele tenha depressão ou pânico. Por isso, não se culpe por sentir o que sente. Apesar de não haver cura, há remédios e tratamentos eficazes. Procure um médico e peça ajuda! Saiba que só terapia não cura a depressão. Todavia, ela ajuda a identificar os sintomas da depressão ou pânico (dores mentais), aumentando a compreensão e melhorando a qualidade de vida.
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Gene é ligado à depressão
11/10/2006
Agência FAPESP - Uma variante do gene transportador de serotonina, em combinação com o estresse, pode causar uma predisposição à depressão ao causar superatividade em uma parte do cérebro, segundo estudo publicado na edição de 10 de outubro do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas). A variante curta do gene transportador de serotonina já havia sido associada à depressão em pessoas com alto grau de estresse, mas a base neural não era conhecida. Uma hipótese anterior sugeria que pacientes com a variante do gene curto ativariam fortemente a região das amígdalas cerebrais - lóbulo arredondado na superfície anterior do cerebelo - em resposta a estímulos emocionais. Segundo o modelo desenvolvido no novo estudo, no entanto, a presença da variante curta não aumentou a reação da amígdala ao estímulo emocional, mas elevou sua atividade durante o repouso. A equipe de cientistas norte-americanos e alemães, liderada por Turhan Canli, do Departamento de Psicologia da Universidade Stony Brook, nos Estados Unidos, utilizou uma técnica de captação de imagens cerebrais para determinar como o gene e o ambiente poderiam de fato interagir no cérebro. O estudo considerou 48 adultos com idade média de 24,7 anos. Os critérios excluíam quem tinha histórico de psicopatologias diagnosticadas ou uso de medicação que alterasse o comportamento. Os participantes foram submetidos a questionários sobre o histórico de estresse, incluindo itens ligados a trabalho, problemas legais e financeiros, relacionamentos, morte e doenças sérias na família. Os pesquisadores utilizaram imagens de ressonância magnética funcional para medir o fluxo sangüíneo em regiões específicas do cérebro. A mensuração da atividade cerebral é considerada um indicador mais sensível das respostas emocionais do que os métodos tradicionais fundamentados na descrição verbal do paciente. Os resultados mostraram que, em vez de ser superativada em resposta a estímulos emocionais negativos, a amígdala cerebral das pessoas com a variante de gene curto ficava superativa mesmo em estado de repouso, particularmente nos indivíduos com altos níveis de estresse. Pessoas nessas condições mostraram um fator de risco para depressão em relação aos que possuem a variante longa do gene. O artigo Neural correlates of epigenesis, de Turhan Canli e colaboradores, pode ser lido em http://www.pnas.org/cgi/reprint/0601674103v1.

20.10.06

De início, agradeço imensamente os visitantes desse blog. Os poucos comentários deixados são reflexos do preconceito ainda existente. É uma pena, pois isso faz com que a depressão torna-se uma doença solitária.
Quando digo "doença" é por que estou certo de que a causa dos sintomas é física, decorre de algum desequilibrio na química do cérebro ou de problemas com neurotransmissores. Assim como uma novalgina neutraliza a febre, os remédios para depressão neutralizam pensamentos aterorizantes, resgatando um estado de espírito suportável e compatível com o cotidiano. Durante um estado depressivo, os minutos demoram a passar, uma sensação de estranheza toma conta do seu ser, as outras pessoas parecem incrivelmente fortes, pensamentos suicidas passam por sua mente, atitudes antes simples passam a requerer um esforço desumano, a impotência e a culpa por sentir-se depressivo são imensas, a fadiga enorme, a mente fica confusa e inquieta etc. Por isso, ATENÇÃO FAMILIARES E AMIGOS: sejam solidários e atenciosos, respeitem muito o que vocês graças a Deus desconhecem, tenham paciência, levem a pessoa de imediato a um médico ou grupo de ajuda, estudem o assunto e, por favor, não façam julgamentos idiotas. Um dia desses vou escrever sobre tudo aquilo que não deve ser dito a quem está com depressão, mas adianto que pedir para pararmos de frescura ou sermos fortes é a pior coisa que vocês podem fazer. Se não quiserem ajudar, por favor, procurem ajuda e não atrapalhem. A coisa é muito mais séria do que vocês pensam. Insisto: a dor mental e o desespero são indescritíveis!
Hoje ainda não existe cura, mas há tratamentos muito eficazes e diversas pesquisas sobre o assunto. Por isso, lembre-se que para tudo tem um jeito, menos para a morte. Os links desse blog podem lhe ajudar.

Acretidem em mim: se você acha que os resultados dos exames feitos estão errados ou foram trocados, você está com síndrome do pânico; se você começar a medir seu próprio pulso achando que alguma coisa está errada, você está com síndrome do pânico; se você tem receio de fechar a porta do quarto ou banheiro com medo de que algo horrível aconteça, você está com síndrome do pânico; se você acha que está ficando louco ou que pode perder o controle sobre si mesmo e fazer algo horrível, você está com síndrome do pânico; se seu coração disparar, suas pernas tremerem, seu queixo bater, você começar a suar frio, sentir falta de ar e partes do seu corpo formigarem, você está com síndrome do pânico. Se você tiver receio de viajar para um local distante onde o acesso a um hospital é difícil, você está com síndrome do pânico; se alguma dessas sensações ocorrer do nada ou quando você está parado no trânsito ou dentro de um túnel, você está com síndrome do pânico. Se você está com medo de tomar remédio tarja preta, com um intenso medo dele um dia parar de fazer efeito, você está com síndrome do pânico.
Como sei de tudo isso sem conhecer você? Simples, esses são sintomas de uma doença e certamente passarão. Por isso, por favor, de um crédito a mim, procure um psiquiatra e siga suas orientações.
Dependendo da gravidade dos sintomas, temos a sensação de saber exatamente o que uma pessoa que morre sente antes de morrer, com apenas uma diferença: sentimos isso várias vezes. Lembre-se: para tudo tem um jeito, menos para a morte!
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31.8.06

A deprivação do sono, ou seja, permanecer acordado durante 36 horas seguidas, é o primeiro tratamento indicado na Europa a pacientes com depressão grave, assim que são internados. Infelizmente tal prática, embora eficiente, é muito pouco divulgada, por não gerar lucros. Eu já utilizei a sleep deprivation por diversas vezes e seus resultados foram ótimos. No meu caso, a melhora dura cerca de 3 a 5 dias.
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29.8.06

Li hoje a placa traseira de um caminhão com um sábio pensamento: "Espera que amanhã melhora".
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27.8.06

"O pesar é a depressão proposcional à circunstância; a depressão é um pesar desproporcional à circunstância".
Certa vez, ouvi o relato de uma mãe que tinha perdido um filho de 6 anos, de uma hora para outra. Ela não hesitou em dizer que nem tal evento foi mais dolorido do que sua depressão grave. O luto, por pior que seja, passa com o tempo, pode ser compreendido, amparado e consolado. A depressão, não.

25.8.06

A mente não mente. Loucos são como crianças: incapazes de mentir.
Uma depressão, um ataque de pânico ou uma crise de ansiedade somente podem ser compreendidos por quem já os vivenciou. Caso duvide disso, peça para alguém tentar lhe explicar como é uma dor de cabeça, como se você jamais tivesse tido uma. A sensação da dor mental é horrível. Você fica numa zona nebulosa entre a lucidez e a loucura. O fato de você não perder a consciência é duro, muito duro. A vontade de matar o pensamento vem à tona: eis a natureza do suicício. Sinceramente, o inferno não pode ser pior. De tão inesplicável e dolorido que são os sintomas, algumas pessoas constumam dizer: isso é desumano, não desejo nem ao meu maior inimigo. Medo da morte, medo de ficar louco e medo de perder o controle de si mesmo são sintomas comuns. Não há como explicá-los. É como dizer a quem nunca teve dor de dente, o que é uma dor de dente.
Para tudo tem-se um jeito, menos para a morte. Os remédios são ótimos aliados. Procure um médico e converse com outras pessoas que passaram por algo parecido. Isso ajuda muito! Aos interessados que não estão em crise, indico o livro "O Demônio do Meio-Dia / Uma Anatomia da Depressão", escrito por Andrew Solomon.
Até mais...