Depressão, ansiedade e pânico. Há muito tempo não escrevo, pois passei uma fase muito difícil. Notem que atribuo essa enorme recaída à realização da eletroconvulsoterapia (ECT), que disparou em mim a síndrome do pânico e afetou minha memória, agora já recuperada. Aliás, sobre esse assunto, gostaria de deixar aqui uma sugestão: sempre consultem antes um terapeuta para saber se você de fato está psicologicamente apto a realizar a eletroconvulsoterapia. Na minha opinião, deveria ser obrigatória a apresentação de uma autorização emitida por um psicológico ou psicanalista, como requisito para realizar dito procedimento. A psiquiatria é muito fria e calculista. Perdi alguns meses de minha vida e sessões de terapia para superar o desamparo e abandono (traumas de minha infância) que voltei a sentir após realizar tal tratamento, que inclusive afetou minha auto-estima. É bem verdade que eu me encontrava muito deprimido e com risco de suicibilidade. Eu estava fragilizado e sem esperanças. Com a recaída que tive, meus pais e eu optamos por consultar outros dois psiquiatras de renome para formar uma junta médica. Eles foram unânimes em me receitar um medicamento muito antigo chamado Parnate. Trata-se de um inibidor da monoamina-oxidase (IMAO), com diversas restrições alimentares. A fase de transição dos remédios foi bem complicada (washout). Como se não bastasse, a sensação de estranheza e a depressão continuaram. Fiquei um bom tempo apático e tendo que me recolher (dormir) durante o dia. Então, com muita cautela, acompanhamento semanal e doses homeopáticas, eles associaram o Parnate a um antidepressivo tricíclico (amitriplina), o que é expressamente proibido, caso você leia a bula de ambos medicamentos. Entretanto, a Associação Americana de Psiquiatria aconselha esse tratamento como último dos últimos recursos, somente no caso de depressões gravíssimas e recorrentes. Então, feito o acerto das doses, os resultados aos poucos começaram a aparecer. Hoje estou bem melhor. O Parnate tem uma grande vantagem perante os demais antidepressivos: ele não gera oscilação de humor. Agora ECT, nunca mais, pois além de depressão, tenho síndrome do pânico. Se soubesse da existência dessa associação medicamentosa, jamais teria insistido na eletroconvulsoterapia. Lembrem-se: para tudo tem um jeito, menos para a morte. Jamais se automediquem. Procurem sempre por um psiquiatra. Espero que minha traumática experiência sirva para alguém. Até mais!
http://mentelouca.blogspot.com
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