Depressão, ansiedade e pânico. Há tempo não escrevo, pois estou me recuperando de uma gravíssima crise de pânico. Insisti em fazer eletroconvusoterapia (ECT) uma última vez para tratar da depressão, pois o médico disse que não restava alternativa: ele já havia tentado todas as medicações existentes e os sintomas persistiam. Após 4 sessões, voltei a ter fortíssimas crises de pânico, como não ocorria há 12 anos. O médico comentou que a eletroconvusoterapia funciona em 90% dos casos, no tratamento da depressão. Ele não imaginava que eu poderia voltar a ter síndrome do pânico por causa do ECT. Foram 2 longos meses sentindo na pele como é ser louco, tudo de novo. As crises foram ininterruptas, fortíssimas e os remédios mal faziam efeitos (pânico crônico e refratário). Foi tão difícil - ou mais - quanto da primeira vez. Quase me internei uma semana num hospital convencional para tomar medicamento na veia (o que foi cogitado pelo próprio médico). O apoio de minha família foi fundamental no processo de recuperação. Tive que dar uma pausa no trabalho. Voltei a fazer terapia 4 vezes por semana, desta vez com um piscanalisna novo. Fiz algumas entrevistas até chegar a ele (esse processo de escolha do terapeuta é absolutamente necessário e muito importante). Sintomas básicos: palpitação e suor frio; perda total do apetite; sensação de disfarce e estranheza; medo de ficar louco; medo de morrer; medo de perder o controle sobre minha pessoa e fazer mal a alguém ou de me suicidar; medo de ficar sozinho; medo de meus próprios pensamentos; perda do filtro de pensamentos absurdos; e crises desesperadas de choro, por estar vivendo todo esse quadro. Além disso, o tempo não passava e eu evitava eventos sociais. Em suma, deixo de recomendar a eletroconvulsoterapia (ECT) para quem tem ou já teve pânico crônico. Acredito que ela sirva tão somente para tratar da depressão. Os médicos que me desculpem, mas essa é a conclusão que tiro de minha dolorida experiência.

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